terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cores Imagens

E de repente, tudo ficou mais colorido.

As paredes do meu quarto mudaram de branco para laranja.

Meus olhos mudaram de castanho para rosa.

Meu cabelo mudou de preto para verde.

E minha pele mudou de gelo para perola.

Todas as palavras que saem da minha boca agora são sobre você; meu corpo sempre aponta para você, mesmo quando eu não te vejo. Minhas mãos sempre procuram um motivo para te tocar; meus olhos estão sempre desesperadamente procurando por você. Meus dedos tamborilam nervosamente na sua ausência; minha mente procura um motivo para te procurar. Quando você está por perto, a fina camada de gelo sobre a minha pele derrete; só para depois se reconstituir quando você se vai.

Acordo e vou direto para a varanda esperar você. O cabelo bagunçado o olhar confuso a língua dormente o pensamento embaralhado a mente em frangalhos as palavras saindo sem pausa eu bebo eu fumo eu como eu me desespero eu choro eu me jogo da sacada e fico estirado no chão; os ossos quebrados e uma poça de sangue se formando embaixo de mim, só para eu me curar completamente quando você finalmente aparece.

A mente em êxtase, o andar desengonçado, os sorrisos involuntários, as pausas para contar histórias chatas que na sua boca se tornam interessantes. O caminho é cansativo, mas é um caminho para o paraíso.

E então eu volto, as vezes com você; as vezes sem você.

E eu espero.

Eu espero.

Eu

espero

E
u

e
  s
    p
      e
        r
         o

E finalmente chega o dia em que eu volto para a varanda, só para fazer tudo outra vez.

Só espero que você espere tanto quanto eu espero.

É tudo o que eu espero.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Planeta Rascunho

Essa madrugada eu acordei vomitando penas de pavão.

A chuva batia com violência na minha janela querendo um lugar quente pra se acomodar e era possível ouvir um saxofone melancólico soar pelas paredes invisíveis da minha mente.

Caminhei lentamente pelo corredor enquanto as paredes derretiam e se transformavam em água do mar. E então, tudo foi tomado. Eu estava me afogando, mas não me desesperei. Aceitei meu destino assim como um paciente terminal em seu último dia de vida aceita o seu. Fechei meus olhos enquanto a vida era tirada lentamente do meu corpo.

E então, ela pegou em minha mão. Ela era linda. Seu longo cabelo, hora azul, hora verde, balançavam e chicoteavam a água, como se estivessem vivos. Seus olhos negros encaravam os meus castanhos e aquele momento durou a mais bela das eternidades.

Ela começou a se afastar e eu comecei a sentir o frio de sua ausência. Solidão. Tentei segui-lá, mas ela desapareceu, como se tivesse se transformado em pequenas bolhas de água. E tudo escureceu.

Meu corpo estava suspenso. Não na água ou no ar, nada tão simples assim. Ele estava apenas suspenso num vazio infinito e escuro.

Abri meus olhos.

Estava em uma praia. As ondas iam e voltavam, mas não faziam nenhum som. A única coisa audível era um choro distante, o qual eu segui.

Caminhei por horas, mas o choro ainda parecia distante, como se estivesse se afastando a medida que eu me aproximava. A praia se transformou em deserto, a areia se transformou em um solo rachado e o choro ainda parecia distante.

E então, ela apareceu outra vez. Ela estava sentada no chão e na sua frente havia uma caixa enfeitada. Ela olhou para mim e seu olhar parecia triste. Enquanto eu me aproximava, ela desaparecia, como se fosse uma miragem. Mas a caixa continuava lá. Quando cheguei perto o bastante, ela já havia sumido.

Encostei a mão na caixa e senti meu coração disparar. Tirei a tampa suavemente e não me surpreendi com o que havia dentro.

Era a mesma coisa que havia dentro de mim. Era o mesmo que eu esperava das pessoas. Era o mesmo que eu esperava da vida. Era o mesmo que eu esperava de mim.

Nada.

domingo, 18 de maio de 2014

Todo Torto

Hoje eu criei uma nova música no violão chamada Catatau Benevolente. Jeremias, o meu gato, disse que ficaria muito melhor se eu realmente soubesse tocar violão, mas elogiou minha capacidade vocal. Sei não, acho que ele só disse isso porque queria carinho. Ou então pra surrupiar um pedaço de carne do meu prato enquanto eu estivesse distraído com meu próprio ego.

Enquanto eu divagava sobre o pensamento de montar uma banda, Jeremias pousou confortavelmente no encosto da janela. Lá fora chovia shurikens e kunais e Lorena Lorelaine, minha vizinha, lutava bravamente com uma quimera de 2 metros que controlava o tempo.

Observei-a por tempo o bastante para concluir que essa garota não estava em plenas condições psicológicas. Estava completamente encharcada, lutava com a maior besta fera que já pisou nessas terras e mesmo assim estava sorrindo, quase como se estivesse... feliz. O que há de errado com ela?

Deitei em minha cama e passei a divagar

E se a minha vida um dia resolve mudar

Como um texto narrativo que em poesia resolveu se transformar

E se um dia ela se cansar

De só deitar e se calar

E se ela também quiser uma quimera enfrentar

E decidir desse lugar se mudar

E então eu vou ficar oco

Completamente louco

Tentando não morrer aos poucos

É assim que eu vou ficar, sempre rouco

É assim que eu vou ficar, todo torto

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Coração Radiante

Algumas pessoas percebem que estão apaixonadas quando veem tal pessoa na rua e sentem o coração acelerar e as mãos tremerem. Eu percebo quando acordo às 6:00 horas da manhã chorando porque sonhei que o bonito terminava um namoro que nunca existiu.

Podem me chamar de doente, mas isso acaba comigo.

Todos os dias eu me olho no espelho e foco nos defeitos. Nariz absurdamente grande, pálpebras caídas, orelhas de abano, barba mal feita e olheiras tão horripilantes que me fazem parecer um vampiro do The Vampire Diaries.

Me pergunto se existiriam tantos defeitos se eu acordasse todo dia ao seu lado.

Já são nove e tralala da manhã e eu já ouvi o BEYONCÉ três vezes seguidas pensando em você. Porra, essa já é uma bela de uma desculpa pra nós nos casarmos e adotarmos três filhos. Duas meninas e um menino. Clara Bela, Maria Antonieta e Augustus. Claro que você pode escolher um nome, mas que seja pro menino.

Ai droga, já estou divagando outra vez.

Enfim, preciso me arrumar.

Tomo banho pensando em você na minha sala assistindo televisão. Troco de roupa imaginando você deitado na minha cama me observando. Imagino um abraço apertado e demorado de despedida.

As vezes a minha imaginação me deixa deprimido. E é difícil manter a melancolia quando o motorista da van coloca Beijinho No Ombro pra tocar.

Presto atenção em todo lugar que você deveria estar, mas não consigo te encontrar. Quem sabe amanhã?

Isso se eu conseguir sobreviver mais uma manhã convivendo apenas com a minha imaginação.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

HAPPY

Hoje eu acordei com a Christina Aguilera cantando Makes Me Wanna Pray no meu quarto.

Um coral de igreja cantava Oh Happy Day na cozinha e, no banheiro, Mozart tocava Rondo Alla Turca em um piano de ouro cravejado de diamantes.

Acho que esse é o jeito do meu cérebro avisar que estou feliz. Ou um pouco perto disso.

No ônibus, o motorista cantarolava incansavelmente o refrão de Love On Top enquanto o cobrador fazia um solo de bateria com duas canetas.

A atendente do banco me recebeu com um número completo de Walking On Air, com direito a coreografia e show pirotécnico.

O cara da lanchonete me vendeu a melhor fogazza de carne do mundo, mas não sem antes cantar Brightest Morning Star com um piano de vidro embaixo de um grande refletor de luz.

Depois de um começo de dia tão maravilhoso, como é que eu iria saber que ia dormir com a Lana Del Rey gemendo tão melancolicamente no pé da minha cama?

E o pior é que a desgraçada não cala a boca.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Momo I

Hoje eu acordei com vontade de beber. Beber até morrer. Mesmo detestando álcool. Quero beber até esquecer em que planeta eu vivo.

Será que dá com refrigerante?

Abro a geladeira e tudo o que encontro é uma alface murcha e três ovos. Eu realmente devia fazer compras. Resolvo ir ao mercado.

No meio do caminho, percebo que estou sem camisa. O mundo seria muito mais fácil se eu simplesmente pudesse sair de cueca por aí sem ninguém me julgar.

Volto pra casa e visto uma camisa amassada que estava em cima da cama.

Dois minutos depois, eu já estava na rua outra vez.

Era um dia agradável, estava tão calor que podia até rachar o crânio de fulano. Assim que eu gosto.

No meio do caminho, eu chego na praça. Parecia ficar mais bonita a cada dia. Sentei em um banco que ficava debaixo da minha árvore favorita. Não sei o nome dela, só sei que eu sempre me hipnotizo com as pétalas das flores vermelhas caindo no chão. Resolvo meditar.

Não sei quanto tempo se passou, mas sei que foi agradável. Me levanto e olho ao redor. Decido ir ao novo parque de diversões que abriu na cidade.

Será que dá pra meditar naquele barco? Decido tentar.

Não consigo.

Seria muito mais fácil se as pessoas simplesmente parassem de gritar. Olho pro lado e percebo que estou sentado perto da garota mais linda do mundo. Resolvo beijá-la.Tinha gosto de chocolate. No começo ela ficou meio corada, mas logo depois me deu um belo de um tapa na cara.

Gostei da brincadeira.

Olho pro outro lado e percebo um garoto de no mínimo 16 anos. Ah, que se dane, resolvi beijá-lo também. Esse tinha gosto de pipoca. Ele ficou sem reação por alguns segundos e só então soltou um monte de palavrão em cima de mim. Até que não foi tão diferente de beijar uma garota, talvez eu tente de novo.

Quando saí do brinquedo, percebi que a garota estava me encarando. Convidei-a para sair, mas ela se recusou. Melhor assim, não estava tão afim mesmo.

Resolvo voltar pra casa. Me jogo no sofá e procuro o controle da televisão, mas lembro de que não tenho uma.

Acho que vou comprar um computador. Talvez um notebook.

Mas antes vou beber alguma coisa. Será que tem refrigerante na geladeira?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cisterna

Sufocado.

É assim que eu me sinto.

Pequeno. Impotente. Inútil.

É assim que você me faz sentir. E mesmo assim eu me sinto tão bem.

Bipolar? Não, não devo me oferecer tal luxo.

Louco? E quem não é?

Normal? Talvez até demais.

Apaixonado? Pelo amor de deus, não.

Acho que admirado é a palavra certa. Ou até mesmo ingênuo. Talvez influenciável.

Acho que nunca vou saber.

Chato. Feio. Sem graça.

É assim que eu me sinto perto de você.

Eu amo estar perto de você. Então amo me sentir assim.