Sentei no meio fio pra descansar as pernas. Era inverno, mas
o dia estava tão quente quanto um dia de verão. Tiro meu chapéu e coloco em
cima da minha mala.
Meu chapéu,
meus óculos escuros e minha mala. Foi tudo o que me sobrou.
Já se
passaram duas semanas. Minha mãe sempre me perguntava por que diabos eu não
gastava o meu salário e eu nunca sabia o que responder. Será que ela
desconfiava de alguma coisa? Acho que não, ou teria me impedido antes mesmo de
eu começar.
Eu me odeio
por ter feito isso, mas também me admiro. É um sentimento tão bipolar, tão
ambíguo, tão novo. Acho que essa sensação é aquela pelo qual eu procurei toda a
minha vida: liberdade.
Uma amiga
minha sempre dizia que esse meu espirito aventureiro era culpa do meu signo
sagitário. Eu discordo. Não consigo acreditar em coisa tão superficial quanto
horóscopo. Gosto de pensar que eu sou assim porque eu gosto de desafios. Meu
pai foi sempre tão conservador, tão metódico, tão rotineiro, tão... chato!
Gosto de pensar que fui um cavalo selvagem na outra vida.
É isso.
Sempre que
me perguntarem por que eu fugi de casa eu vou responder isso. Um cavalo
selvagem não gosta
de viver preso. Ele gosta de sentir o vento no cabelo e o
chão no pé.
Como diz
Marisa Monte “Vai sem direção/Vai ser livre/A tristeza não/Não resiste”. Está
aí outra boa resposta.
“Por que
fugiu de casa?”
Por que eu
era triste. Um pássaro numa gaiola. Um peixe num aquário. Um homem em um
escritório.
Aliás, eu
amo Marisa Monte. “O Que Você Quer Saber De Verdade” é uma das músicas que mais
me inspirou à fazer isso. Marisa me ensinou a correr atrás dos meus sonhos, sem
nenhum medo de ser feliz.
Me levanto.
A principal
razão para eu ter vindo até Florianópolis era a praia, então eu vou andar e
andar até encontrar alguma praia. Não importa se estiver longe, o que importa
mesmo é conhecer lugares, casas e pessoas. Esse é o meu objetivo.
Não vou
ficar muito tempo aqui, meu próximo destino é Curitiba. Depois, talvez, Minas
Gerais.
Me pergunto quando é
que vão me achar...
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